quinta-feira, 2 de maio de 2013

(sobre)viver

Fiquei triste. Percebi que demorei tanto pra tomar meu café, que ele esfriou. Percebi também que o mesmo acontece com as pessoas ao meu redor, cansadas de esperar, quando as procuro, já foram embora. É sempre assim, sabe? Quero viver cercada de pessoas, mas preciso e encontro paz só em minha solidão. Quero ser o calor de alguém, mas se eu colocá-lo no meu coração, ele empedra. Sou egoísta, não sei dividir meu silêncio. Egocêntrica. Teimosa. Sei todos os meus defeitos e melhor, não os escondo. Sou de verdade. Apesar de me beliscar às vezes pra constar que sou de carne e osso porque costumo vestir minha armadura por tanto tempo que ela se tornou quase uma segunda pele. Não é fácil tirá-la e deixar minha ferida exposta. E estou aqui em carne viva escrevendo esse texto. Eu decidi que minha vida é dividida em meses, meus meses em dias, dos quais uma quinzena se refere aos bons acontecimentos e a outra, ao meu inferno astral. É chegada a hora de trocar de pele, sair do casulo, abandonar a armadura. É chegada a hora de sorrir por fora e chorar por dentro. É a hora de dramatizar a existência e lamentar as partidas. É a hora de desocupar as gavetas, a casa e o coração. Mudar, inverter. Eu arrasto bem os móveis da casa, mas me sinto bombardeada por sentimentos estranhos quando tento remover pessoas, não dá. Sempre preferi ouvir “adeus” por não saber lidar com a consciência pesada no meio da noite, caso eu dissesse. Porque, claro, é mais fácil culpar os outros pela nossa infelicidade do que ser totalmente responsável por ela. Eu evito colocar ponto final porque no final, ele acaba virando reticências. E dar continuidade ao sofrimento é masoquismo demais. Viro dor, viro solidão, viro qualquer coisa que me isole do mundo externo e faz eu me recolher no meu mundinho interiorizado. E em mim, só em mim, eu encontro as explicações, razões e motivos. Maldita quinzena que mais parece um século. Cansa viver, sobreviver, cansa ser humana. Então eu vou mudando minhas cores e me adaptando aos ambientes ou tentando ser invisível à eles. Me esforço pra ser boa, pra ser calma e continuar sendo eu. Reprimo minha mágoa na esperança de que ela suma, mas ainda falta alguns dias. A sensação azeda começa a passar, o amargo da vida tá querendo mudar o gosto e o soco no estômago não sufoca tanto quanto antes. Quando vi o nó na garganta já sumiu e eu estou aqui gritando minha felicidade. Essa sou eu. Vivo em ciclos, fases, fugindo em círculos. Fujo do medo de altura pulando de aviões. E continuo minha rotina mensal, quinzenal, sendo dor, alegria e me vestindo de sentimentos novos. Viver dá um trabalho do cão e ser nós mesmos, às vezes, dói demais.
“Intimidade é ler os olhos, os lábios e as mãos de quem está com você. Mais do que repartir um endereço, é repartir um projeto de vida. Não basta estar disponível, não basta apoiar decisões, não basta acompanhar no cinema: intimidade é não precisar ser acionado, pois já se está mentalmente a postos.”
"Quando fazemos uma escolha, qualquer escolha, estamos dizendo sim para um lado e dizendo não para o outro. Então, algum sofrimento sempre vai haver."Martha Medeiros
Se apaixonar pelas qualidades é fácil. Quero ver se apaixonar pelos defeitos, manias, cicatrizes, manchas. Pelas burradas e mancadas. Essa eu quero ver.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Tudo volta!
E voltam mais bonitas, mais maduras, voltam quando tem de voltar, voltam quando é pra ser.

domingo, 9 de setembro de 2012

Rápido e Rasteiro

Vai ter uma festa
que eu vou dançar
até o sapato pedir pra parar.

aí eu paro
tiro o sapato
e danço o resto da vida.
Quando você tem prazer de falar ao telefone, escrever e conversar ao vivo com uma mesma pessoa, não resta outra opção senão amá-la.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

‎"Eu quero amor feinho. Amor feinho não olha um pro outro. Uma vez encontrado, é igual fé, não teologa mais. Duro de forte, o amor feinho é magro, doido por sexo e filhos tem os quantos haja. Tudo que não fala, faz. Planta beijo de três cores ao redor da casa e saudade roxa e branca, da comum e da dobrada. Amor feinho é bom porque não fica velho. Cuida do essencial; o que brilha nos olhos é o que é: eu sou homem você é mulher. Amor feinho não tem ilusão, o que ele tem é esperança: eu quero amor feinho."

(Amor Feinho - Adélia Prado)

terça-feira, 29 de maio de 2012

"E pra te falar a verdade, tudo que eu falo nem chega perto de tudo que sinto. Palavras, raramente conseguem expressar sentimentos."

quinta-feira, 17 de maio de 2012



Não sei o que acontece, mas se você soubesse a saudade que eu tenho sentido de você... Ando triste, preocupada, com medo. Tento não deixar transparecer. Mas você mudou um pouco, to insegura. Você tem me deixado insegura. Não sei se você tá preocupado, não sei. Não sei o que acontece. Você falava mais, explicitava mais. Foi eu que disse alguma coisa e você achou melhor não falar mais? Ou é a situação que te impede? Ou sou eu que ando sentimental demais? Eu quero que tudo dê certo pra você, rezo todos os dias. Eu no seu lugar estaria preocupadíssima. Pode ser isso também né...
Bom, o fato é que eu queria ter mais tempo com você, tento fazer dos nossos raros momentos os melhores. E esse fim de semana eu não vou te ver. E isso tá me machucando, mas não falo pra você. Aprendi desde pequena a reprimir muitas coisas que eu sinto. Tô engasgada, queria te falar tanta coisa, mas isso cheira a insegurança. Queria saber se tem algo a ver com alguém do passado, se é mesmo passado... A gente ainda não teve tempo de ter cumplicidade. Isso me corrói, porque eu me sinto tanto na vontade de contar tudo, tudo mesmo e não consigo, e parece que você não me conta mais. É... talvez seja o momento, talvez não. O fato é que essa distância tá me matando aos poucos. Tá transbordando a alma e saindo pelos olhos.